Histórico da Família Léda

JEFFERSON NUNES, logo percebeu que, para fortalecer-se no combate a Leão Leda, deveria buscar o apoio de Benedito Leite. Como diz COUTINHO, referindo-se a ele:

Político matreiro, logo percebeu os rumos da política maranhense, filiando-se ao Partido Federalista, agremiação de Benedito Leite, grande liderança maranhense e, a esta época, iniciando sua ascensão política (p.185).

Tornando-se partidário de Benedito Leite, logo Jefferson Nunes começou a colher os frutos de sua aliança, conseguindo nomear partidários seus para os cargos não eletivos mais importantes de Grajaú e circunvizinhanças. Foi o caso da nomeação de Estolano Eustáquio Polary para a Promotoria de Grajaú.

Os ânimos, que já se encontravam novamente acirrados explodiram, quando em 16 de agosto de 1898, Polary foi assassinado e o crime atribuído ao grupo Leda-Moreira (Leão, Silvino, Nelson e Tomás José) que foi ameaçado de prisão. É importante destacar que Raimundo Mello, presidente do diretório do partido governista do Grajaú, portanto adversário político de Leão, em entrevista ao “Jornal de Caxias”, afirmou que em sua consciência achava que eles nenhuma parte tiveram no assassinato do promotor Estolano Polary.

O Jornal do Comércio de São Luís publicou:

Continuam a chegar notícias alarmantes do alto sertão. O assassinato do Promotor Público, atribuído a última hora ao Coronel Leão Leda e a seus parentes, importantes proprietários e influentes oposicionistas daquela comarca, faz recear que se repitam as cenas lutuosas de 1880 e 1888 em que a zona sertaneja se manteve em completa sedição. Espera-se com ansiedade a volta do chefe de polícia que foi àquela localidade sindicar os fatos, acompanhado de grande aparato de forças.

SOCORRO CABRAL, em seu livro “Caminhos do gado: conquista e ocupação do sul do Maranhão” também tece comentários sobre o crime:

O crime foi atribuído aos Leda e aos Moreira, clã familial de grande influência em Grajaú e outras localidades sertanejas. Os Leda e os Moreira tinham como adversário político Jéferson Nunes, que não possuía a liderança e o prestígio de seus inimigos, mas, em contrapartida, contava com o apoio de Benedito Leite, do antigo Partido Conservador, que dominava o poder regional na época. (p. 192)

Jefferson Nunes, aproveitando-se da situação, viajou para São Luis para fazer a denúncia do crime e conseguiu convencer o então governador João Costa - que havia sido eleito com o apoio e prestígio de Benedito Leite, a enviar forças armadas a Grajaú para combater o grupo de Leão Leda. Começava então o maior conflito armado ocorrido no Sul do Maranhão, pois a reação dos partidários de Leda foi igualmente dura. Cerca de 40 homens armados foram enviados ao local para combatê-los, no entanto foram derrotados.

            COUTINHO, referindo-se ao fato, comenta:

 Jefferson Nunes, acompanhado de pequena força, tentou fazer presos os suspeitos do homicídio desencadeando dura reação de Leão Leda. O líder político de Grajaú, amparado por notável prestígio popular e grande força eleitoral, arregimenta numerosos homens, os arma e marcha contra a força de Jefferson Nunes, fazendo-a fugir para Barra do Corda. (p. 186)

Vencidas as forças enviadas pelo governo estadual, ficava desmoralizado o Governador João Costa e seu padrinho político, Benedito Leite. Entretanto, a força estadual, por vingança passou a matar e queimar as casas dos amigos de Leão Leda.

O Governador, inconformado com a derrota e contando com o apoio de seu influente protetor, enviou novamente para Grajaú um grande contingente de soldados e voluntários arregimentados em Imperatriz e redondezas, todos fortemente armados. Desta vez são 400 homens, comandados pelo Tenente-coronel Pedro José Pinto, cujo objetivo era fazer a prisão de Leão, antes mesmo que houvesse qualquer procedimento judicial contra ele. Duríssimos combates foram travados entre os partidários de Leão Leda e as tropas enviadas de São Luis. Novamente COUTINHO comenta em sua obra:

A popularidade de Leão Leda e o clima generalizado de revolta davam ares revolucionários aos sertões e acendiam sérias preocupações no governo. A força oficial foi aumentada e Leão Leda foge para lugar incerto, falavam em Goiás (p. 186).

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